25.11.09
13.11.09
ELOGIO AO AMOR , por Miguel Esteves Cardoso
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão alimesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia aspessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passívelde ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia serdesmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amorcego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, sãouma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea porsopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amorfechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor éamor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como nãopode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não sepercebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor éa nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amorque se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se podeceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
1.11.09
31.10.09
Olhar para o sonho do outro
sonhar com o outro
perceber o que o outro precisa
o que ele sonha
como sonha
perceber o seu lugar no sonho do outro
se compadecer
se sensibilizar
abrir mão
perceber a lágrima
o riso
fazer pelo outro
fazer para o outro
perceber o quão importante um sonho pode ser
saber abrir mão sem deixar de ser você mesmo
saber o momento de ceder
ceder pelo outro apesar de tudo pela simples delícia de ver o outro realizando um sonho
e fazer dele o seu sonho também
28.10.09
16.10.09
15.10.09
9.10.09
8.9.09
A VIDA BATE
Ferreira Gullar
Não se trata do poema do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua de Alfândega, detrás
de balcões e guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino,
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas. És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas dentro, no coração
eu sei,
a vida bate, Subterraneamente,
a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Dellhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçada à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.
© Ferreira Gullar - A Vida Bate, 1999
30.8.09
29.8.09
24.8.09
3.8.09
ELES ESTÃO JOGANDO O JOGO DELES...
31.7.09
29.7.09
27.7.09
24.7.09
22.7.09
10.7.09



uma nova lição a aprender
escovar os dentes
aprimorar a dicção
ligar para um velho amigo
honrar pai e mãe
honrar minha palavra
não abrir o guarda chuva
chamar os bombeiros só quando for preciso
cagar no mato sem ser hippie
descobrir meus pares e aliar-me a eles
dar se conta da enfermidade dos afetos mundanos
sentir se só
e gostar disso
escrever
ser mãe
ser puta
calar a boca
não se expor
criar

aceitar o sucesso tal qual a angústia que se julga merecedor
apagar o ressentimento tal qual uma bituca de cigarro
não fazer pose
fazer pose
aceitar o nulo
conviver com estranhos próximos
aceitar pré-conceitos
não fazer da intuição uma enfermidade
lacrar a libido
parar
parar de escrever
Maíra Dvorek, num feriado de chuva de dois mil e nove.
1.7.09

O homem é um ser inacabado, tal qual afirmava Dostoievski em suas “ Memórias de um Subsolo”. Preso a um relicário de credos e bom senso ele se enjaula em um conjunto constante de “devir a ser” e uma crença ideológica ( ou religiosa, pra mim, sinceramente, tanto faz... Visto que ambas só se fazem presentes devido a uma eterna busca infantilóide de se ver acalentado no mundo adulto) ele anda círculos buscando algo que o complete.
A total inadequação do homem em seu mundo, hoje em dia, não é aceita. Vendemos felicidade e moldamos nossa fisionomia tal qual um livro de auto-ajuda. A dúvida, nesse paradigma, não é bem vinda, visto que gera angústia. E angústia, meus caros, em tempos tão belos de photoshop e um cenário social cada vez mais individualista e competitivo não é bem vinda.
A não aceitação de nossas falhas, os profiles otimistas do Orkut, os auto-retratos ao lado dos amigos que nos querem bem, a foto no jornal, a existência que só se dá através da mídia, compõem esse cenário de inércia.
Acalentamos-nos em um rol de afetos e crenças primárias para tornar menos árdua nossa inacabada existência.
“ No caso, não estou propriamente defendendo o sofrimento e tampouco a prosperidade. Defendo... o meu capricho e que ele me seja assegurado quando necessário. O sofrimento, por exemplo, não é admitido nos vaudevilles, eu sei. No palácio de cristal, ele é simplesmente inconcebível: o sofrimento é dúvida, é negação, e o que vale um palácio de cristal do qual se possa duvidar ?” Memórias do Subsolo, Fiódor Dostoiévski
Maíra Dvorek, tentando adaptar minha dislexia a nova reforma gramatical num junho quase julho de dois mil e nove
30.6.09
21.6.09
14.6.09
24.5.09
o lugar onde se pré supõe o tolo
o lugar onde a flecha não cessa ao encontrar o alvo
1.5.09
29.4.09
18.4.09
every human being - and ever jew- has individual talents and qualities
how you develop these makes the unique person you are
joods historisch museum
www.jhm.nl
27.3.09
18.3.09
15.3.09
, acentuações. O mesmo enfadonho assunto sobre o “ fazer “ artístico.
“Será que essas pessoas nunca conversam sobre o tempo, sobre o final do campeonato paulista? Como fazer uma bela arte, digo, uma arte relevante sendo tão monotemáticos assim? Será que essas pessoas olhavam o mundo a sua volta?”
Ainda que modesta, sua compreensão do que era a arte, esse tal “fazer” artístico para ele era claro que artistas seriam ou deveriam ser pessoas atentas ao mundo ao seu redor, sendo a arte a expressão desse olhar. Teve um insight era a velha fábula de Orwel tomando forma, a revolução dos bichos a sua frente. Entendeu a mediocridade da qual aqueles monotemáticos eram vitimas. Como modificar um meio olhando sempre para o próprio meio que se encerra? Como transformar não olhando o entorno.
Da definição : arte1ar.te1sf (lat arte) 1 Conjunto de regras para dizer ou fazer com acerto alguma coisa.
Nada mais medíocre que uma definição, procurou outra :
“ arte, execução pratica de uma idéia”
Pensou com seus botões irônicos “ Arte, arte...execução pratica de uma idéia? Logo, vou fazer um bolo” Lembrou do comentário do Comentarista esportivo, fulano dominava a arte do futebol, lembrou da arte de estender os cinco minutos de fama, lembrou do artesão que fazia tapetes “ com arte”, lembrou de Ferreira Gullar e seu tratado sobre a arte.
Por que precisavam tanto dela? Por que falavam sobre ela? Será que médicos e engenheiros tomavam suas noites de sábado a falar tanto de seu trabalho assim?
Falavam
Da arte de dominar o próprio umbigo.
6.3.09
PEQUENAS HISTÓRIAS
O tempo não parou quando ela queimou a língua com o café quente que escorria dentro das amígdalas fazendo na irritar se com o telefone que tocava. Do seu apartamento via o mar e isso não significava absolutamente nada. O reflexo da colher mostrou um ser um pouco mais gordo, distorcido. Contentou-se. Aquela superfície metálica guardava a percepção única de quem era ela. Praticamente um segredo.Vagou pela estação. Sentou em um acento gorduroso e sentiu inveja dos indigentes.
O ir e vir, para eles, era o estar que ela buscava. Entrou em um vagão no sentido contrário do usual e foi até o final da linha. Desceu enfadada com excesso de histórias contidas nos olhares dos passageiros. Não derramou uma lágrima. Deixou o paralelepípedo arrancar seu salto esquerdo
que já estava quebrado, deixou o pé deslizar entre uma pedra e outra. Achou a casa da fotografia. Não bateu. A porta poderia estar entre aberta, mas não estava. Ergueu o corpo com uma força que não lhe era usual até o parapeito da janela. Barulho de televisão, cheiro de sofá e gente pobre. ( Podre, como ela definiria) Invadiu. Olhou com desprezo o guarda-roupa.passando pelo banheiro viu seu reflexo no espelho de moldura laranja barata enfeitado com uma carta de baralho que a dama de copas era uma mulher nua de um vulgar quase ingênuo de tão antigo. O primeiro sinal foi o ronco cadenciado a sua direita. Estava deitado, o sono pesado, a tigela com restos de arroz e feijão e ovo no ir e vir da barriga descoberta.
Ele acordou com o salto dela em sua boca. Regurgitou. Sufocado tentou mover os braços. Estavam presos. Morreu com gosto de ovo e asfalto na boca.
M.DVOREK a la Dalton Trevisan...2009
27.2.09
um post sincero
talvez um estudo de andar para um novo personagem
um tanto quanto retardado, diga se de passagem
fiz das pessoas o meu tubo de ensaio particular.
já tinha visto, lido de atores/ jornalistas ( vide o livro "cabeça de turco") pessoas comuns que se fazem passar por outras
pra conhecer um determinado universo.
as pessoas me trataram bem, com um certo orgulho até por estarem me ajudando.
lembrei de minha amiga americana que ,muito bonita, quando voltava madrugada dos bares depois de cantar
deformava o rosto durante o trajeto de trens e ônibus.
teatros.
delícias do anonimato:
A mais batida de todas: Outro dia, só por diversão voltamos de taxi falando numa língua que não existia.
Eu indicava o caminho com um sotaque amaericano. Na hora de pagar ficamos lendo como que tentando decifrar o que será
que significaria a placa " Não aceita cheque". O Taxista : " Cheque , No. Dolar, yes!"
Lembrei daquele trecho do " Catcher in the reye" ( não, não quero discutir a qualidade do livro, cansei já das discussões a respeito da qualidade desse livro rsrsr) em que Holden admite ser o maior contador de histórias para estranhos.
Ao pegar um trem e encontrar com a mãe de um colega de escola ele emociona a mulher contando de seu câncer cerebral e
do que pretende fazer nos seus últimos meses de vida.
Divertido até. Lembrei de uma volta a casa num ônibus com um amigo que não só quis passar por estrangeiro, como fez questão que o o ônibus inteiro ouvisse seu português rudimentar. Sim, porque ele no auge da farsa, se distraiu e migrou o sotaque para um tom germânico qualquer.
**************************
Parece que cada dia nos pede uma calma e uma aprimorada arte de sermos quem somos.
Bebemos para pensarmos menos.
Fingimos ser mais ricos, mais inteligentes, mais engraçados, mais sedutores, menos complicados, menos rancorosos.
Fingimos. As vezes para os outros, as vezes pra nós mesmos. E o que é mais intrigante é que ,muitas vezes, acreditamos na nossa própria mentira. Isso pode nos modificar ao ponto da mentira passar a ser uma "quase_" verdade mesmo, mas também, pode mascarar
alguma realidade, alguma sombra particular da nossa personalidade a ser decifrada.
Nesse aspecto, eu tenho um verdadeiro pacto com a verdade.
A existência dói a todos. Isso não está nas entrevistas, nas capas de revistas, nem nos sorrisos das mesas dos bares. E é justamente o que me encanta, o que não é mostrado. O que tentamos esconder. A falha. Não há nada mais encantador, humanamente falando, do que um erro.
*****************************************
Um cansaço, talvez, da luta psicológica diária de tentar ser, evoluir, num melhor me levou até uma bengala. Uma imperfeição visivel. Risivel.
25.2.09
17.2.09
temporalidades
reencontro com um velho amigo
uma nova atenção
leve
porém atento
uma nova sinceridade
21.1.09
18.1.09
9.1.09
5.1.09
2.1.09
Praising the way it all works - gazing upon the rest
The cool before the warm
The calm after the storm
I wish to stay forever - letting this be my food
But Im caught up in a whirlwind and my ever changing moods
Bitter turns to sugar - some call a passive tune
But the day things turn sweet - for me wont be too soon
The hush before the silence
The winds after the blastI wish wed move together - this time the bosses sued
But were caught up in the wilderness and an ever changing mood
Teardrops turn to children - whove never had the time
To commit the sins they pay for through - anothers evil mind
The love after the hate
The love we leave too lateI wish wed wake up one day - an everyone feel moved
But were caught up in the dailies and an ever changing mood
Evil turns to statues - and masses form a line
But I know which way Id run to if the choice was mine
The past is knowledge - the present our mistake
And the future we always leave too lateI wish wed come to our senses and see there is no truthIn those who promote the confusion for this ever changing mood
o quinino
o parabrisa
uma tarde sem legendas
uma letra qualquer de música
o riso
o beijo
pés imersos num salto alto
uma fisionomia a ser decifrada e
algum verbo de ligação pra se fazer um poema
25.12.08

da mesma cor que não sei o nome
do mesmo andar cabis-baixo
andares de São Francisco
andares de Runas de Alende
petalas de pés descalços
um estranho fora do teu ninho
enfadonhos pezares
um primeiro se conhecer por entre ruas
pensamentos dislexos
sentimentos esparççços
um sorriso aqui
outro ali
outro ali
outro aqui
vem cá
24.12.08
20.12.08
17.12.08
Pertence: uma palavra bonita de ser escutada ao pé do ouvido.
II
a voz num azul televisão a dizer mágoas de Raduan Nassar-
algum fruto que eu não provei-
provérbios
ditos
III
noites mal dormidas
carinho nos pés
IV
e o tempo.
14.12.08
12.12.08
10.12.08
9.12.08
7.12.08
Bobeou você vira sapo
Quatro olhos verdes
Desposaram o tempo
e dispuseram o amor
" Amor, assim ó, encontro em qualquer arremedo de esquina"
Entre uma tarde-feriado e outra se amaram
respiraram o último ar
um do outro
um no outro
Ele lia o que ela escrevia sempre acreditando que ela falava de outros
Ela procurava rastros
Viveram
Sem culpa
Sem tédio e
Sem roupa
Aguardaram o novo com a ansiedade que é particular dos jovens
Desposaram o tempo
E quando ele ali, todo brando e calmo não trouxe mais nada novo
Tentaram se reconhecer no amor que estava guardado
O Cheiro
O Humor
Quatro olhos verdes se fitando
Não se deve, nunca
se (in) dispor do amor.
© MAÍRA DVOREK
6.12.08
Por um segundo mais feliz

"O nosso amor não vai parar de rolar
De seguir e fugir como um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo
Rimas fáceis,
calafrios
Fura o dedo,
faz um pacto comigo
Por um segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz"
30.11.08
24.11.08
22.11.08
21.11.08
ORAÇÃO AO TEMPO
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
Caetano

9.11.08
soubesse que era assim
não tinha nascido
e nunca teria sabido ninguém nasce sabendo
até que sou meio esquecido
mas disso eu sempre me lembro
Leminski
8.11.08
6.11.08
2.11.08
O Diabo e o Bom Deus
A poesia, o pecado a maldade, a permanência do estado de Guerra nas nações e nas mentes humanas
Seriam fruto do livre arbítrio do próprio homem. Sendo nós, o nosso próprio diabo e Deus o autor de todas as coisas boas. Fiat Lux e como bem disse Sartre " O inferno são sempre os outros". Lendo desde os estudos de Verge sobre os orixás, a história do povo hebreu, passando por evangelhos segundo o espiritismo e a doutrina de Buda percebi as inúmeras intersecções que há nas crenças,filosofias e culturas criadas pelo Homem com o fim de justificar sua existência e sua história. O início e o fim ficariam aí delegados a responsabilidade de um ser " supremo e absoluto". Diante das vicissitudes (termo recorrente em laboratórios religiosos, vide sentido epistemológico da palavra laboratório) de total responsabilidade desse ser supremo que através de suas leis justas governaria o mundo. Venho de uma família de artistas, sendo a arte nossa religião mais constante. Cresci com os preceitos de que se há alguma coisa capaz de catalisar alguma espécie de transformação no homem essa coisa se chama ideologia, arte, filosofia e até mesmo alguma religião que o próprio homem queira criar. Seguindo a velha tradição de filhos que ao crescerem buscam o oposto dos pais, como sendo eles os responsáveis em seus modos operandi pelos erros presentes tentam viver concretamente o oposto doq ue lhes foi ensinado busquei desde cedo conhecer as religiões. Me encantei por diversas delas e cheguei a praticar com superficialidade algumas. Tudo dentro de uma jurisdição e uma lógica própria e solitária. Sempre ao primeiro contato com os grupos de determinada religião eu me decepcionava com a forma como os " preceitos divinos" eram deturpados numa tentativa de colocá-los em prática que mais se assemelhava a uma gincana espiritual. Em 2001 por conta de um trabalho me vi tendo que estudar a obra de Sartre. Submersa consegui ver uma lógica e um por que ideológico no existencialismo, mas confesso que minha aproximação se deu da mesma forma como estudará outras filosofias. Sendo o existencialismo uma outra possível " religião".
Essa semana ao me observar andando pela rua e vendo o meu constante " procurar-vir-a-ser' e constante "auto-análisar-o-eu-era-como"
tive minha distração interrompida por um fato emergencial que veio a tona. Fato esse que não chegou até a mim sob a figura de uma questão a ser decifrada, ou possível problema a ser resolvido. Ocorreu um fato. Ponto final. Fato grave e nem por isso menos corriqueiro. De foro intimo, antecipo-me a dizer. Mas que me fez ver pela primeira vez o homem sendo um ser só, existente independente de pré ou pós existências responsável por tudo, inclusive pela criação desse suposto ser supremo que o rege.
Dar se conta do seu "eu" real é dar se conta de sua responsabilidade, de seu tamanho e de sua finitude e, portanto um exercício corajoso e solitário. Delegando a criação (e tudo o que é intrínseco a ela) a si próprio o homem poderia finalmente ser o seu próprio Deus.
Maíra Dvorek, novembro de 2008. beijos pra vcs e fiquem com Deus rsrsrrsrs
"eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus"- Leminski27.10.08
25.10.08
23.10.08
22.10.08
CHOICES

I really know I was wrong when I said it was true
Yesterday i got so old,I felt like i could die
It made me want to cry
Go on, just walk away. Go on, your choice is made.
Go on, and disappear.
Go on,Away from here!
And know i was wrong
When i said it was true
That couldn't be me and be him
In between without you
Without you.Yesterday i got so scared
I shivered like a child
Yesterday away from you
It froze me deep inside
Photobiographyas by © Maíra Dvorek
17.10.08
14.10.08
13.10.08
"EQUÍVOCOS COLECIONADOS"
12.10.08
Azul televisão: Uma terapeuta discorre num carioques chiado que vivemos no tempo da " Liberação Sexual e repressão dos afetos".
11.10.08
9.10.08
3.10.08
29.9.08
no colo, na rede
brincando
sem muito por quê
havia um menino
(talvez um menino...)
...
era um sobrinho
...
aquilo dizia mais de ti do que qualquer outra
aparencia "forjada"
(ser um
ou
ser dois
são escolhas)
lembrar-se (lembrar de sigo próprio sempre)
25.9.08
Vc entra aqui, vc continua a entrar aqui. A querer saber de mim, o que eu escrevo.
Meia duzia de posts deletados na contra mão. Tempus Edax Rerum, Tempus edax rerum...o mantra cantando na minha cabeça...Atores, peças, objetivos, sonhos de vida, tempus edax rerum. O tempo a tudo corrói. Ele me corrige : " Devora.O tempo a tudo devora."
Heteronimos bailando.
Reencontro com o escritor paulistano exilado em Salvador.
Fim de noite.
O diretor me diz que ao me olhar se lembra de Rita Hayorth.
Ofício curioso esse, que a cada trabalho, novas famílias se formam.
E se amam, e se amam, e se amam.
Devoram.
Devora
Aplausos
(Vaias as escondidas?)
Felicidade crescente, o coração novo se adapta ao palco novo em folha repleto de textos novos e olhares curiosos "quem é ela? quem é ela? "
Música pra fazer cinema
beijo de novela
Outra:
Tempus Edax Rerum
Música pra fazer cinema
Beijo de novela
Baile de heteronimos
Aqui: Devora!
6.9.08
25.8.08
14.8.08
12.8.08
7.8.08
O telefone tocou. Já era preu ter saído pra ir pro Rio. Na real fiquei enrolando, enrolando...é o transito, é a chuva, e deixa pra ir amanhã de manhã. Eu sabia que iria tocar, dia menos dia, hora menos hora. One day at a time... E do jeito que chegou a notícia até a mim, foi soco no peito. Um amor profundo por essas pessoas...tão intimas e queridas e que nunca nunca tivessem que passar por dor alguma, por mais minima que seja. .. Assim correm os dias e não foi surpresa pra ninguém. Telefone sem parar de tocar. Todo mundo atento e eu querendo dizer do amor que se tem pelos amigos, em especial você. O novo sempre vem.
E amanhã, novo começo.
mensagem na garrafa: Maíra Dvorek, sete de agosto de 2008, 23:22. Um quase São Paulo.
4.8.08
31.7.08
29.7.08
22.7.08

A paralisante imobilidade de uma vida em todas as circunstâncias são regidas por um modelo imutável, do modo como comemos, bebemos dormimos, e oramos - ou pelo menos nos ajoelhamos pra orar- segundo as leis inflexíveis de uma fórmula de ferro,essa característica de imobilidade que faz com que cada enfadonho dia que passa seja exatamente igual ao outro em seus mínimos detalhes, parece comunicar-se àquelas forças externas cuja própria razão de ser é a incessante mudança.
21.7.08
pra falar da música que você me mandou
do outro lado do planeta
mudou meu dia
tudo óbvio por aqui
mas bem melhor
30.6.08
26.6.08
19.6.08
27.5.08

Na hora "H" pouco importava o talento, o horário ou os panos.
" Roupas são só panos":
Uma manhã de chás, Chick Corea e gelos a lá Herbie Hancock.
Estação de trem, você transformando o sonido repetitivo da telefonista em canção.
Neve.
Nossos cuidados, nossos diálogos.
(Agora o (i)mundo parece preso em pesares?. .. Mais ou menos como no dia que eu cheguei e fiz vc acreditar que não era mais assim...?)
Fazíamos trocadilhos com os achismos dos outros. Circulavamos por aí ostentando nossa alegria, sintonia fina, tão rara. Branca e negra.
Como um pingo em cima de um i.
25.5.08
19.5.08
18.5.08
14.5.08
8.5.08
7.5.08

Foi dito, comentado, lido e relido por vcs, meus
caros e fiéis amigos, com-par-sas e tão bem vindos desconhecidos
o meu sincero e humilde manifesto.
Pediram preu postar aqui, mas o "copiar e colar" nem funciona
do picasa...os dias correm e por aí vai.
Agradeço, meus caros, vi com as respostas de vocês, que a inquietação
não é só minha. Valeu!
28.4.08
27.4.08
24.4.08
23.4.08
22.4.08
21.4.08
15.4.08
10.4.08
31.3.08
25.3.08
23.3.08
22.3.08
18.3.08
16.3.08
15.3.08
13.3.08
10.3.08
6.3.08
27.2.08
26.2.08
14.2.08
11.2.08
31.1.08
Calvin, por Bill Watterson
30.1.08

Não há poema mais sujo do que este que você escreveu para mim, Laura. Você não tinha o direito, Laura...Sim, sim...você sabe como é sua mãe...ela tem aquele jeito...que você sabe bem, não era nem pra ela ficar sabendo...você me disse que seria discreta, você prometeu, você jurou, Laura! Sempre é a mesma história! Cala a ...Eu sei que não sou teu pai, Laura...Não sou e nem pretendo s...o que você está fazendo? Calma,calma...vem cá...Laura! O que é isso! Você ficou maluca? Onde já se viu? Aiii aiii aiii Tua mãe quando souber disso..Não fala assim, garota, pai é pai...não importa...além do mais sua mãe tem nos ajudado e muito...Laura? Laura? Laura! Larga isso, Laura! Não!














































































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"O Tempo escreve os melhores finais"


























